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It, A Coisa (Stephen King) | Resenha


Quando se é criança o mundo é uma infinidade de possibilidades, movidas pela imaginação, você é vulnerável e ao mesmo tempo invencível, seus amigos são os companheiros das mais diversas aventuras e sua família é seu porto seguro.

“Crianças, a ficção é a verdade dentro da mentira, e a verdade desta ficção é bem simples: a magia existe.”

It, a Coisa, um dos maiores clássicos do mestre Stephen King foi publicado no Brasil pela editora Suma de Letras e conta a história de Bill, Berverly, Ben, Mike, Stan e Eddie, que formavam o Clube dos Otários quando eram crianças. Já adultos, cada um deles é convocado por Mike a voltar para Derry, sua cidade natal para cumprir uma promessa feita na infância, a de enfrentar um ser maligno e poderoso que eles achavam que haviam derrotado : A Coisa. Todos eles parecem ter esquecido dos tempos de infância e de tudo que aconteceu e conforme vão lembrando o leitor é lançado numa trama complexa e completa, recheada de ação, horror e sangue.

O livro se passa em 1958, com os protagonistas na infância, onde nós vamos a formação do clube, o início da primeira onda de assassinatos, e os núcleos familiares de cada um. King tece uma rede de informações absurdamente reais das famílias e da personalidade das crianças, assim como o encontro com o sobrenatural de cada uma delas. Eles são crianças diferentes das outras e cada uma tem sua peculiaridade de forma que eles não se encaixam em nenhum grupo e resolvem criar o seu. Em contrapartida temos Henry Bowers e sua gangue, um garoto que persegue os Otários por puro prazer, refletindo uma personalidade psicopata.

A outra parte do livro se passa em 1985 quando eles se forçam a retornar a Derry para cumprir a promessa, pois os assassinatos recomeçaram. Somos apresentados a adultos, tomando a decisão de abandonar sua vida inteira para voltar a cidade, vemos novo núcleos familiares, os caminhos que todos tomaram e o reencontro lotado de emoções, sangue e uma carga de medo que A Coisa, na forma do Palhaço Pennywise começa a colocar neles, e no leitor.

A cidade em si é praticamente um personagem da história, assim como o Barrens, lugar favorito das crianças. A mitologia local é imensa e recheada de episódios sangrentos e muito relevantes para a história.  As tramas e subtramas são tão incríveis que por diversos momentos eu realmente acreditava que tudo aquilo era real e que eu era um morador de Derry.

“Vá embora e tente continuar a sorrir. Ouça um pouco de rock-and-roll no rádio e vá em direção a toda vida que existe com toda a coragem que você consegue reunir e toda a crença que tem. Seja verdadeiro, seja corajoso, enfrente. Todo o resto é escuridão''

A narrativa se alterna entre 1958 e 1985 de forma ágil, fria e envolvente. Você simplesmente não consegue largar o livro.  A medida que as coisas vão sendo reveladas e tudo vai se encaminhando para o final você começa a pensar sobre a mente da pessoa que escreveu esse livro, e chega a uma conclusão: King é um gênio. Ri muito, chorei um pouco, fiquei com um medo danado por diversas noites o que fez o livro ser uma das maiores e melhores experiências literárias da minha vida. Não é só uma simples história de terror, ela aborda profundamente temas como família, amor, amizade, lealdade, distúrbios psicológicos e psiquiátricos em crianças e coisas do tipo. Mas o que mais me chamou atenção foi o quanto nós perdemos de nossa infância, quantas coisas boas nós deixamos para trás e que geralmente são as coisas ruins que nos acompanham. A infância é a fase de formação de caráter, escolhas e o início da vida. Apesar de mais de mil páginas, a história flui muito bem e o leitor não consegue soltar o livro, pois a leitura é muito fluída.

Agora, um coisa é certa, é um livro pra bem poucas pessoas. A violência extrema, a carga de tensão, o despertar sexual e tudo envolvendo crianças de doze anos. Tenho pra mim que foi a hora que as pessoas desistiram de dizer pro Stephen King se ele podia ou não escrever certas coisas. Perseguições, bullying violento, mortes e a horripilante presença de Pennywise fazem de A Coisa um dos melhores livros que já li e entrou fácil na lista de favoritos, é realmente uma obra prima do medo.

“Talvez seja por isso que Deus nos fez crianças primeiro e nos colocou mais perto do chão, porque Ele sabe que é preciso cair muito e sangrar muito pra aprender essa simples lição. Você paga pelo que recebe, você é dono daquilo pelo que pagou… e mais cedo ou mais tarde, o que é seu volta pra casa, pra você.”

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